Círculo de Artes Plásticas de Coimbra lança Open Call 2026 inspirada em «Os Justos», de Jorge Luis Borges
O Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (Círculo) anuncia a Open Call 2026 para a ocupação dos espaços expositivos do Círculo Sede, convidando artistas e coletivos residentes em Portugal a apresentarem propostas inéditas de artes visuais contemporâneas.
Com curadoria convidada de Mafalda Ruão, esta edição inspira-se no poema «Os Justos», de Jorge Luis Borges, um texto que celebra os gestos discretos, a generosidade quotidiana e a capacidade transformadora das pequenas ações. Partindo deste ponto, os candidatos são desafiados a desenvolver projetos que dialoguem livremente com o universo proposto pelo poema.
Serão selecionados três projetos, que integrarão uma exposição coletiva a inaugurar no Círculo Sede no dia 24 de outubro, permanecendo patente até 19 de dezembro de 2026.
A participação é gratuita e as candidaturas podem ser submetidas até 31 de agosto de 2026. Cada um dos três projetos selecionados receberá um fee de 500 € e um apoio à produção até 1000 €. Os resultados serão divulgados durante o mês de setembro.
Curadoria
Mafalda Ruão é mestre em Estudos Curatoriais pela Universidade de Coimbra, com formação em Fotografia pelo Instituto Português de Fotografia do Porto e em Planeamento e Gestão Cultural. Desenvolve atualmente o seu trabalho nas áreas da curadoria, produção, comunicação e ativação, colaborando com o Fotofestiwal, em Łódź (Polónia), e integrando, desde 2022, a equipa do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e das últimas edições do Anozero – Bienal de Coimbra. Colaborou ainda com iniciativas como os Encontros da Imagem, a Ci.CLO Bienal de Fotografia do Porto, o Porto/Post/Doc – Film & Media Festival e o Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, sendo igualmente colaboradora da Umbigo e ensaísta.
Os Justos
Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.
Anexo: